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Despoesias:O Gyodai

(Redirecionado de Deslivros:O Gyodai)
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Este artigo é parte do Despoesias.

O seu Cancioneiro/Romanceiro livre de conteúdo.

O Gyodai


Tradução do original em aramaico antigo de Fernando Collor Pessoa

Gyodai.jpg



<poem>Numa meia-noite agreste, quando eu via, emo e triste,
Vagos curiosos vídeos de seriados orientais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de alguém que batia levemente a meus umbrais.
"Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.
É só isto, e nada mais."
'Numa meia-noite agreste, quando eu via, emo e triste, vagos curiosos vídeos de seriados orientais...'

Ah, que bem disso me lembro! Era no frio de junho
E a pepsi diet, morrendo negra, urdia sabores desiguais.
Como eu queria a madrugada, toda a noite aos vídeos dada
Para esquecer (em vão!) a amada, hoje entre orgias bestiais -
Essa cujo nome sabem os prostíbulos mais legais,
Mas sem nome aqui jamais!

Como, a tremer frio e frouxo, o Senhor Bazoo
Me incutia e trazia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundindo força, eu ia repetindo:
"É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita chata pede entrada em meus umbrais.
É só isto, e nada mais."

E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
"Senhor", eu disse, "ou viado, de certo me desculpais;
Mas eu estava cagando, quando viestes batendo
Tão brutalmente, batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi..." E limpei rápido, assando-as, minhas nádegas.
Noite, noite e nada mais.
'E limpei rápido, assando-as, minhas nádegas. Noite, noite e nada mais.'

Rainha Ahames fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a punheta profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais -
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse os meus ais,
Isto só e nada mais.

Para dentro então volvendo, toda a bunda ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
"Por certo", disse eu, "aquela boca com olho na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais.
Meu coração se distraia pesquisando estes sinais.
É o vento, e nada mais."

Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um Gyodai dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nenhum momento,
E com ar histérico e rápido pulou sobre os meus umbrais,
Numa propaganda política pichada por sobre meus umbrais.
Foi, pulou, e nada mais.
'Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça, entrou grave e nobre um Gyodai dos bons tempos ancestrais.'

O monstro estranho japonês fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
"Tens o aspecto emborrachado", disse eu, "mas de pneu careca usado,
Ó velho Gyodai emigrado lá do espaço sideral!
Dize-me qual o teu nome lá no espaço sideral."
Disse o Gyodai, "Gyodai-ai-ai-ai-ai-ai".

Pasmei de ouvir este raro mutante falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que um monstro tenha tido pulado nos seus umbrais,
Assombração sobre a pichação que há por sobre seus umbrais,
Com o nome "Ai-ai-Gyodai".

Mas o Gyodai, sobre Gôzma, nada mais dissera, augusto,
Que esse comandante Giluke, qual se nele a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento,
Perdido murmurei lento. "Amigos, sonhos - mortais
Todos - todos já se foram. Amanhã também te vais."
Disse o Gyodai, "Gyodai-ai-ai-ai-ai-ai".

A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
"Por certo", disse eu, "são estas suas vozes usuais.
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entorno da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesperança de seu canto cheio de ais
Era este "Gyodai-ai-ai-ai-ai-ai".

Mas, fazendo inda o ser cor-de-rosa sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dele, do político pichado e meus umbrais;
E, deitado na rede, pensei de muita maneira
Que queria esta criatura agoureira dos maus tempos ancestrais,
Esta criatura rosa e agoureira dos maus tempos ancestrais,
Com aquele "Gyodai-ai-ai-ai-ai-ai".

A baba ia escorrendo, mas nem sílaba dizendo
À boca dentuça que na minha alma cravava o olho fatal,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
Na borracha onde a câmera punha vagas sombras desiguais,
Naquele látex onde ela, entre as sombras desiguais,
Reclinar-se-á Gyodai-ai-ai-ai-ai-ai!
'O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais, o nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!'

Fez-se então o ar mais fedorento, como cheio de peido
Que capetas soltassem, cujos leves flatos soam musicais.
"Maldito", a mim disse, "deu-te Shima, por Buba concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!"
Disse o Gyodai, "Gyodai-ai-ai-ai-ai-ai".

"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou capeta! -
Fosse Gaata ou Jill quem te trouxe a meus umbrais,
A este luto e este degredo, e esta noite e este segredo
A esta casa de ânsia e medo, dize a esta alma a quem atrais
Se há soldados Hidler para esta alma a quem atrais!"
Disse o Gyodai, "Gyodai-ai-ai-ai-ai-ai".

"Profeta", disse eu, "profeta - oni ou capeta! -
Por Change Dragon ante quem ambos somos fracos e mortais,
Dize a esta alma entristecida, se em monstros espaciais de outra vida,
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!"
Disse o Gyodai, "Gyodai-ai-ai-ai-ai-ai".
'Profeta, profeta - ou demônio ou capeta! -, dize a esta alma a quem atrais se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!'

"Que esse orgasmo nos aparte, oni ou diabo", eu disse. "Parte!
Torna à Gôzma e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"
Disse o Gyodai, "Gyodai-ai-ai-ai-ai-ai".

E o Gyodai, na noite infinda, está ainda, está ainda,
Naquela pichação medonha que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha dor de um demônio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão mais e mais.
E a minh'alma dessa sombra que no chão há de mais e mais,
Libertar-se-á... Gyodai-ai-ai-ai-ai-ai!

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